NOVA YORK - A crise econômica nos EUA está batendo forte no bolso dos estudantes universitários. A National Association of Student Financial Aid Administrators (NASFAA), que reúne instituições de ajuda a estudantes, acaba de publicar um estudo mostrando que mais de 50 bancos já suspenderam suas linhas de crédito para estudantes. E a expectativa é a de que as instituições que ainda se dispõem a fazer empréstimos subam rapidamente as suas taxas de juros. A pesquisa revela ainda que 90% dos bancos estão neste momento revendo suas linhas de crédito para estudantes, o que vai afetar drasticamente aqueles que começam a estudar em setembro, início do ano letivo americano.
A maior instituição financeira de empréstimos para estudantes nos EUA, a Student Loan Marketing Association, que atende pelo apelido de Sallie Mae e tem seus empréstimos financiados pelo Tesouro americano, também já entrou em período de reestruturação. A instituição opera um capital de US$ 169 bilhões em empréstimos para estudantes e atende a cerca de 10 milhões de estudantes em 529 universidades americanas. Neste mês de julho, a Sallie Mae já anunciou a troca de três de seus principais executivos e pretende reavaliar sua política de juros, em função do encolhimento do mercado. Ainda não se sabe qual será a nova política de empréstimos, mas a simples indicação de mudança já rendeu um sinal de alerta.
Em Nova York, o governador David Paterson prometeu enviar para a Assembléia Legislativa estadual um projeto para conceder ajuda a estudantes a fim de enfrentar o aperto no crédito:
_ O estado de Nova York é um dos poucos da federação que não tem um programa estadual de apoio a estudantes universitários. Vou incluir um programa de apoio ao ensino universitário no próximo orçamento estadual _ prometeu Paterson em nota oficial divulgada ontem, diante das notícias de aperto no crédito educativo.
Abraham Lackman, presidente da Comissão de Universidades Independentes, que reúne mais de 100 instituições privadas de ensino nos EUA, alertou que até 2007 havia dezenas de bancos dispostos a fazer empréstimos e que agora eles podem ser contados nos dedos das mãos. Luke Swarthout. advogado do United States Public Interest Reaserch Group, fornece números para dimensionar a crise do crédito. Segundo ele, em 1993, 46% dos estudantes tinham média de US$ 9,200 de débito e que, pouco mais de uma década depois, dois terços dos estudantes têm débitos que somam em média US$ 20 mil anuais.
_ Uma política que imagina que estudantes possam assumir dívidas de US$ 100 mil ou mais não é sustentável no longo prazo _ alertou Swarthout.
O aperto atinge vários estados e instituições. Na Universidade da Pensilvânia, por exemplo, uma das diretoras do comitê de admissões, Judith Hodara, calcula que 87% dos 900 estudantes do Wharton College dependem de empréstimos e que será preciso cuidado dobrado para não pagar juros extorsivos. Calcula-se que estudantes internacionais vão pagar bem mais do que os atuais 7% ao ano de juros enquanto que estudantes americanos vão amargar o aumento dos 4,5% de juros subsidiados de seus empréstimos. Os candidatos a MBA precisam de empréstimos de mais de US$ 150 mil para completar o programa.
_ Estamos aconselhando os alunos a prestarem muita atenção na hora de pedir um empréstimo porque os juros tendem a subir muito na atual crise do mercado financeiro _ diz Judith.
Na Universidade de Chicago, o corte da mais procurada linha de crédito atingiu 3 mil estudantes. O Illinois Designated Account Purchase Program (IDAPP) suspendeu a ajuda aos estudantes que vinha sendo dada desde 1996, afetando mais de 150 cursos universitários só em Chicago.
_ Um curso universitário está a cada dia mais caro para quem depende de empréstimos. Os custos extra podem exceder US$ 100 mil numa graduação com a alta de juros _ alerta Rose Martinelli, diretora associada para recrutamento e admissões da Universidade de Chicago.
Entre as instituições mais atingidas pelo corte de empréstimos a estudantes estão as universidades de Yale, de Duke, Purdue, Tufts e Michigan. Também no estado de Massachusetts, o órgão estadual que garantia empréstimos com juros subsidiados, Massachusetts Educational Financing Authority, anunciou o corte sumário da linha de crédito, incluindo empréstimos destinados a programas de ajuda a programas como os da Holy Cross.
_ Estamos em estado de choque _ diz Lynne Myers, da diretoria de ajuda financeira da Holy Cross, em Massachusetts _ E vamos procurar ajuda do governo federal para enfrentar este problema.
Até o ano passado, os empréstimos subsidiados garantiam os estudos de 11 mil estudantes nos programas da Holy Cross. Agora, mesmo os que recebem bolsas parciais de estudos podem ser obrigados a pagar até US$ 24 mil anuais em programas universitários das maiores instituições educacionais do estado de Massachusetts, por conta do cancelamento da ajuda estadual. Na lista, está por exemplo a Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas e caras instituições de ensino nos EUA. Tomas Amorim, do escritório da Universidade de Harvard no Brasil, diz que este problema do aperto no crédito educativo americano não vai atingir estudantes de graduação na sua universidade, e nem atingir brasileiros que queiram fazer graduação lá:
_ Harvard tem uma das mais generosas políticas de bolsas de estudos atualmente nos EUA. Os estudantes que necessitam de ajuda financeira podem candidatar-se a bolsa de estudos e ter seus custos providos desta forma. Só no caso da pós-graduacão é que poderá haver alunos de Harvard prejudicados pela crise econômica atual _ garante Amorim